Da Individuação

Os Ashanti da África [...] acreditavam que o Criador dava um pequeno fragmento de seu espírito a todos aqueles a quem enviava para a Terra, e que, ligado à dádiva daquele fragmento de espírito – à alma humana – estava o destino de cada ser humano, o que ele iria se tornar e o que faria no mundo [...]

O que precisamos fazer para cumprir nosso próprio destino enquanto criaturas, é ser tão ricos, tão totais em nossa singular natureza humana quanto a árvore em sua natureza de árvore. Ainda assim, precisamos dar um passo além, algo que a árvore não precisa fazer. Pois a árvore não se perdeu, desde o início ela tem sido humildemente obediente à sua singularidade. Isso não ocorre conosco. Confundimo-nos no labirinto cerebral do “de onde” e “para onde”.  Buscamos ser mais do que humanos – eis nossa grandeza – mas insistimos em nossas próprias definições de como sê-lo – e essa é a nossa pequenez.

Se apenas pudéssemos aprender, como mostra esse mito, a simples e dura lição do emergir, do penetrar nos mais escuros lugares para seguir o incansável anseio por elevação, do não permitir que o pequeno fique esquecido e sem ser honrado, então seríamos um todo. Então nos relacionaríamos com os poderes inconscientes da vida e de Deus, que existem dentro de nós. Isso é redenção.

Sheila Moon, em A Magic Dwells: A Poetic and Psychological Study of the Navaho Emergence Myth

Mlourdes - 27 de fevereiro de 2014 - 22:37

A visão dos Ashanti assemelha-se à visão gnóstica da centelha divina em cada ser humano.

Muito especial tudo isto!

Lu

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