O resgate da alma nacional

Trecho do livro “A Mutilação da Alma Brasileira – Um estudo arquetípico”, de minha autoria.

… Em nossa labuta de consultório trabalhamos com o inconsciente, com o invisível, com perversões, com a Sombra. Lidamos com o que não está bem, com o que não está integrado, com o que está dissociado, com o que está reprimido, com o que precisa ser transformado ou resgatado. Como nação precisamos fazer o mesmo: lidar com nossas almas penitentes e resgatar a alma nacional e ancestral que, pelo desrespeito, ficou no inconsciente.

Precisamos examinar nossas diferenças culturais, fazer nosso diagnóstico psíquico-cultural e decidir o que queremos ser. É importante que trabalhemos nosso lado regressivo, depressivo, complexado, que tem vergonha e que não vê saídas.

Uma desordem psíquica não pode ser encarada somente como um escândalo, mas como um sinal de oportunidade de desenvolvimento pessoal. Isso também acontece com um país e com uma cultura.

O processo de individuação não é um recolhimento a uma torre de marfim, ao contrário; a responsabilidade social é um elemento crucial da individuação. A personalidade bem equilibrada implica que o indivíduo saiba se ajudar e ajude ao próximo.

Como terapeuta, não podemos esquecer desse compromisso, da responsabilidade cívica e profissional, de não sermos alienados da realidade individual e coletiva. Devemos exercitar a cidadania. Precisamos ter a consciência bem desenvolvida e o coração bem aberto.


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