Convite

A lama de Mariana continua espelhando a situação atual do Brasil. A fase de putrefactio não acabou.  Os acontecimentos políticos que continuam ocorrendo no Brasil, para nosso pesar, podem ser explicados pela nossa história. Não adianta sermos inconsequentes e buscarmos um único culpado, proceder a uma caça às bruxas imediatista e simplista. Não devemos criticar somente a falta de ética dos políticos e empresários, quando no dia-a-dia e em nosso trabalho não praticamos o exercício da ética. Basta sair no trânsito das grandes cidades, por exemplo, para notar o quanto somos egoístas, mal-educados, irresponsáveis, “espertos”. O simples fato de ter uma caixa de correio virtual, um e-mail, já nos torna possíveis presas de todo tipo de golpe. Quando o troco vem errado, quando itens não consumidos são cobrados de propósito, o que é bem comum, quando a fila é furada, a corrupção está lá. O brasileiro é um exímio frequentador da escola da malandragem. Toda a sociedade brasileira está contaminada: o povo, o judiciário, o legislativo, o executivo, os partidos políticos, sindicatos e associações de classe. No meu livro “A Mutilação da Alma Brasileira” (Vetor Editora), publicado em 2000, mas oriundo de uma monografia escrita em 1994, tentei fazer uma análise do Brasil como indivíduo e buscar soluções que nos ajudariam a sair da lama em que vivemos, o que não é fácil, pois quando nos aprofundamos na análise desse fenômeno detectamos a contaminação que ocorre desde o Brasil colônia. Mas todas as reflexões e soluções merecem ainda mais discussões.  Podemos falar mais das características e das feridas da alma brasileira e dos processos que acarretaram várias mutilações da alma e de nossas raízes, que redundaram em certas condutas da nossa sociedade. É um longo caminho a percorrer, são muitos os eventos a pesquisar. Até porque entendo que não é possível compreender o comportamento e angústia de um paciente (cidadão) sem compreender a sua história cultural e antropológica. Para entender melhor o individuo, precisamos saber de sua anamnese. Como afirmo no livro:

Em nossa labuta de consultório, trabalhamos com o inconsciente, com o invisível, com perversões, com a sombra. Lidamos com o que não está bem, com o que não está integrado, com o que está dissociado, com o que está reprimido, com o que precisa ser refeito e resgatado. Como nação, precisamos fazer o mesmo: lidar com nossas almas penitentes e resgatar a alma nacional e ancestral que, pelo desrespeito, ficou no inconsciente. Precisamos examinar nossas diferenças culturais, fazer nosso diagnóstico psíquico cultural e decidir o que queremos ser. É importante que trabalhemos nosso lado regressivo, depressivo, complexado, que tem vergonha e que não vê saída.

Pretendo escrever mais artigos nesse site e abro espaço a todos que quiserem trazer à discussão algumas questões identificadas. Convido-os a engrossar essa corrente investigativa. Procuraremos saber qual deverá ser o nosso sacrifício para  a transformação e renovação das condutas políticas, sociais e profissionais no Brasil. Dizem: Precisamos fazer alguma coisa. Então, façamos!

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